Uma visão objetiva sobre o aborto

O aborto pode ser definido como a culminação de uma gravidez antes que o feto possa viver de forma independente fora do ventre da mãe. A Organização Mundial da Saúde (OMS) faz uma definição de uma forma de aborto denominado inseguro e o qualifica como um procedimento para terminar uma gravidez realizado por pessoas que carecem das habilidades necessárias ou num ambiente que não esteja em conformidade com os padrões médicos mínimos, ou ambas as coisas.

De tal forma que para a OMS, existem duas formas: uma segura e outra insegura. Em alguns países, ocorre antes das 24 semanas de gravidez, por causas naturais, e é considerado espontâneo e denominado involuntário.

Gravidez 2D ultrassonografia 24 semanas
Fuente: pregmed.org

Todo Sobre O Aborto

O aborto espontâneo segundo a SEGO (Sociedade Espanhola de Cirurgia e Obstetrícia), define-se como a expulsão ou extração de um feto ou embrião que tenha por peso menos de 500 gramas ou 22 semanas de gravidez. Também fica dentro da definição qualquer produto de gestação de idade ou de peso de gravidez que não seja viável, como um óvulo não embrionado, uma mola hidatiforme ou outras. Isto sem contar se é deliberado ou não. Inclusive se há vida.

Este tipo apresenta várias formas clínicas que vão desde a ameaça de aborto, passando pelo inevitável, o completo, o retido, o séptico e o de repetição. A classificação não está padronizada; mas estes são, de forma aproximada, os termos mais utilizados.

Mas existe outro tipo de procedimento que não é conhecido como induzido e é causado deliberadamente com o fim de interromper a gravidez (seja por observação médica ou não).

Tomar a decisão para terminar a gravidez é extremamente pessoal e varia drasticamente de um indivíduo para outro, em algumas sociedades é aceite sob certas circunstâncias; mas em outras pode ser considerado um ato criminoso. Se está a considerar, deve pensar cuidadosamente sobre o que é correto antes de tomar uma decisão.

Deve consultar os pais, médico ou outro adulto de confiança que possa ajudar com esta decisão. Tem que considerar que isto terá uma repercussão muito importante na vida atual e futura. Os conselheiros nas clínicas de saúde da mulher, como o Planeamento Familiar, podem proporcionar informação acerca das diferentes opções (como a interrupção da gravidez, a adoção ou a criança dos filhos) e o efeito que cada um poderá ter.

Número de embarazos vs Abortos Placeholder
Número de embarazos vs Abortos

The Lancet, Maio 2016. [1]

Tome em consideração que a OMS estimou que em 2008 se realizaram 22 milhões de abortos inseguros, um número alarmante sem dúvida. Desses 22 milhões, 47.000 provocaram mortes e mais de 5 milhões levaram a sérias complicações. Complicações como: abortos incompletos, hemorragias, infeções, perfuração do útero, entre outras.

Quem deve realizá-lo?

A resposta mais certa é um médico especialista e deve ser realizado sob estritas medidas de saúde e segurança. Existem lugares onde é legal e existem clínicas onde se pode realizar. Um dos problemas mais frequentes que se apresenta é o custo, o qual varia segundo o método e as semanas de gravidez que se tenha.

Quanto custa no México?

No México, com comprimidos custa entre os $2500 e os $4000.

Quanto custa nos EUA?

Pode ser à volta dos 1.500$ dólares americanos ou menos, se for nas primeiras 12 semanas de gravidez. Claro que dependerá do sítio que se escolha para o procedimento e o método a utilizar, segundo indicação médica. Para escolher a sua opção o melhor é assegurar-se com um médico especialista.

Quanto custa em Espanha?

Em Espanha, é geralmente a Segurança Social pública que cobre estes gastos, mas a intervenção costuma-se realizar em clínicas privadas. Dependendo de diferentes fatores, como a semana de gestação, os preços costumam oscilar entre os 300 e os 1700 euros.
O outro problema, quem sabe, se é menor de idade é necessário a autorização e presença dos pais para poder ser praticada legalmente. O que no caso de adolescentes pode fazer com que fujam desta opção por medo e consequências e rejeição social.

Esta é uma realidade de todas as classes sociais; mas quando não se tem recursos económicos você está em desvantagem e muitos recorrer ao que podem ter, como procedimentos à margem da lei, com pessoas não qualificadas que se aproveitam do desespero de quem sofre o problema.  Nunca falta quem ofereça uma solução natural à gravidez não desejada e em alguns casos, propõem remédios caseiros.

É importante que se conheçam as plantas que contenham químicos e podem ajudar neste processo; mas deve-se ter cuidado, a reação das pessoas a esses químicos é diferente e podem resultar em danos graves para a saúde, assim como conduzir à morte. O propósito pode não ser alcançado, podendo causar malformações no feto, pelo que recomendamos fortemente que pensa várias vezes antes de tomar esta opção.

Em que se diferenciam os diferentes tipos?

Pode consultar aqui os diferentes tipos de aborto. De forma geral diferenciamos dois:

Terapêutico

Pode fazer-se devido ao risco para a mulher ou para o feto.

Provocado

Obedece à opção de a mulher interromper a gravidez (onde for legal). Não se deve confundir o provocado com o que se dá antes das 20 semanas (5 meses) de gravidez chamado Espontâneo.

Dependendo dos compostos utilizados, podemos diferenciar entre aborto com comprimidos y remédios naturais para abortar.

Como se pode evitar?

A resposta está numa boa educação sexual, no uso de contracetivos adequados e à prestação de serviços legais de aborto seguro. Infelizmente muito governos não desenvolveram políticas permanente que ajudem a lidar com a situação. São menos preventivos e mais reativos.
aborto

O que é o aborto seletivo?

Em alguns países, em particular na Índia, existe um problema importante com o feticídio feminino só pelo fato de que nasceram meninas. Nessa sociedade, por motivos sociais e económicos, aos pais convém mais terem filhos homem, porque para eles ter uma menina significa ter que pagar o dote (dinheiro e bens) quando esta se case. Quando os pais podem descobrir o sexo do feto com antecedência, por vezes abortam unicamente porque o feto é do sexo feminino.

O aborto seletivo de género é ilegal na Índia; mas a baixa proporção de nascimentos de mulheres em relação a homens nascidos, juntamente com outras provas, dá por certo que o feticídio feminino é praticado em grande escala nesse país.

Em que países é legal abortar?

55 países em todo o mundo permitem, fundamentados em aspetos legais amplos, ainda que se estabeleçam algumas condições como o limite de tempo de gravidez para que possa ser realizado, por indicação médica, entre outras.

Esta mesma fonte indica que países da América como: Perú, Panamá, Uruguai, México, Estados Unidos, algumas ilhas do Caribe como: Trinidad e Tobago, Santa Lúcia, Granada, entre outras, aprovam em alguns casos; uns com mais ou menos restrições que outros. Por sua vez, países como Chile e Suriname, punem em todos os casos.

Por exemplo; na Bolívia, é penalizado com dois a seis anos de prisão a quem realize sem a autorização da mulher ou se for realizado a uma menor de 16 anos. Em caso de ter autorização a pena é de um a três anos. Apesar disso, sempre que exista uma autorização de um juiz, as leis bolivianas estão de acordo que se interrompa a gravidez quando resultado de uma violação ou para salvaguardar a vida de uma mãe.

A CEPAL (Comissão Económica Para América Latina) apresenta um artigo com notas para a igualdade de informação das Nações Unidas, em que se apresenta graficamente em quais países da América Latina se proíbe ou não a realização de forma voluntária.

Uma quantidade importante de países do mundo diminuiu as penalizações. Desde 1986, perto de 36 países começaram a permites às mulheres abortar desde que obedecessem a indicações médicas ou sem alguma razão.

Estados Unidos, Rússia, Índia, Canadá, China, e alguns países europeus, é legal o pedido ou exigência da mulher durante um certo período de gestação. Pelo contrário em países como África, em alguns da América Latina, Médio Oriente e Oceânia, não é legal e é penalizado em alguns com mais rigor que outros.

Por exemplo, em Espanha a IVE é legal e é regida pela Lei Orgânica de saúde sexual e reprodutiva e da interrupção voluntária da gravidez, lei que entrou em vigência em 2010. Entre outros aspetos, é definida a partir da maioridade dos 16 anos.

É garantido por indicação médica especializada e deve ser feita num centro hospitalar acreditado. Todas as gestantes maiores de 16 anos podem escolher esta opção até às 14 semanas.

Debates morais

Algumas sociedades proíbem-no quase por completo, enquanto que outros permitem-no em certos casos. Tais sociedades geralmente estabelecem uma idade máxima depois do qual o feto não deve ser abortado, independentemente das circunstâncias. Como saber se é legal ou não? Como ser relaciona com a moral?

Em algumas sociedades é permitido por algumas destas razões:

  • Devido à saúde da mãe, incluindo a saúde mental.
  • Quando a gravidez é o resultado de um crime como: violação, incesto ou abuso de menores.
  • Quando a criança terá uma “qualidade de vida inaceitável”, tais como: graves deficiências físicas, sérios problemas genéticos e graves defeitos mentais.
  • Por razões sociais, incluindo a pobreza.
  • Incapacidade da mãe de criar uma criança, seja por sua idade ou por condição mental.
  • Quando faz parte de uma política do governo.
  • Para regular o tamanho da população.
  • Para regular os grupos dentro de uma população.
  • Para melhorar a população.

A maioria de quem se opõem à sua legalização, está de acordo que se é pelo bem da saúde da mãe pode ser moralmente aceite se houver um risco real de riscos para ela.

Existem alguns textos argumentativos onde se expõem que este é considerado como um substituto para o contracetivo. Alguns métodos contracetivos supõem uma ação numa etapa muito inicial da gravidez.

Algumas sociedades utilizaram-no para a prestação adequada de contracetivos ou para regular o tamanho da população.

Ainda que pareça insólito, em 1965, uma Conferência das Nações Unidas sobre a População Mundial em Belgrado, foi dito que “o aborto era o principal método de controlo da natalidade no mundo nesse momento”. Alguns médicos argumentam que deve ser parte da política de contracetivos de um país.

Dizem que numa sociedade que acredite que as pessoas devem planejar as suas famílias, deveria permitir que as mulheres pusessem fim às suas gravidezes não desejadas, com o fim de fazer frente a faltas de controlo na natalidade.

Por outro lado, o debate não acaba aqui. Tem que se ter em conta um aspeto muito interessante deste tema e é ele que tem que ver com a relação existente com a incapacidade. Algumas pessoas especializadas em ética não estão de acordo com o argumento de que deve ser permitido quando o feto, se nascer, poderá sofrer incapacidades físicas ou mentais. Dizem que permitir isto, com uma razão, é ofensivo para as pessoas com incapacidade; porque implica que tantos eles como as suas vidas, são de menor valor se forem comparadas com a vida das pessoas consideradas “normais”.

Algumas pessoas com incapacidade que argumentam que eles preferiam estar vivos a terem morrido no útero. Seção 1 (1) da Lei do Aborto de 1967 no Reino Unido, permitiu a terminação de uma gravidez em qualquer momento caso houvesse risco significativo de que o bebé nascesse com uma incapacidade grave. Noutras circunstâncias devia ter lugar durante os primeiros 6 meses de gravidez.

Para as pessoas com incapacidade, o argumento de esses especialistas em ética sobre isto em particular, é irrelevante. Dizem que o argumento é erróneo porque ataca o princípio de que todos os seres humanos têm o mesmo direito a viver uma vida como qualquer outra pessoa humana. Consideram que é incorreto dizer que uma vida vale menos que outra. Está de acordo com esta afirmação?

Outros ativistas pró-vida opuseram-se a este argumento, porque pensam que é uma justificação para permitir o aborto eugenésico, que é usado para eliminar genes incapacitantes da raça humana. Noutras épocas foi utilizado para deter o crescimento dos grupos de população, ou grupos raciais considerados como geneticamente “inferiores”. Atualmente, isto é considerado como uma violação grave dos direitos humanos e como um ato criminoso. Também foi utilizado no passado para não deixar que as pessoas com defeitos genéticos pudessem ter filhos.

É moralmente correto interromper uma gravidez antes do parto normal?

Algumas pessoas julgam e assumem que é sempre negativo seja qual for a circunstância. Outras pensam que é correto quando a vida da mãe está em risco. Também existem os que pensam que existe uma série de circunstâncias em que é moralmente aceitável. Que pensa você?

Este é um tema muito doloroso para as mulheres e os homens que se encontram diante do dilema moral se deve ou não interromper a gravidez. É um dos assuntos onde todos costumam ter uma posição certa, poucos são os indecisos.

Por um lado, estão os que se denominam “pró-vida”. Dizem que intencionadamente nunca é justificado e por outro, estão os que se chamam a si mesmos os partidários do direito ao aborto “pró eleição” e consideram o aborto intencional como aceitável em algumas circunstâncias.

É qualquer outro direito mais importante que o direito à vida? O que acontece com o direito da mulher em decidir o que fazer com o seu próprio corpo? Não são perguntas fáceis de responder.

Uma das causas de proibição da interrupção voluntária da gravidez é a seguinte: matar deliberadamente seres humanos inocentes. Se um feto é um ser humano inocente e o aborto é a eliminação deliberada de um feto, então falamos da eliminação deliberada de um ser humano inocente (de acordo com está lógica), o que pode levar a pensar que seja contranatura. Contudo, esta lógica parte de um princípio absoluto: Consideramos o feto um ser humano?

Alguns filósofos argumentaram que pode justificar-se moralmente, se não houver risco para a saúde física ou mental da mãe.

Tudo tem a ver com a conceção de “Ser Humano”. Para alguns pensadores um feto não é humano porque não tem as suas características, torna-se humano ao nascer e a ser criado como tal. Em algumas sociedades pode abortar-se legalmente se for descoberto que não é homem, por exemplo. Pode parecer algo atroz; mas a realidade cultural de algumas sociedades pode ser incompreensível para outros.

Como enfrentar as suas consequências?

O que acontece com o desejo da mãe e a sua decisão sobre dar vida ou não?

Não só pode afetar o estado físico da mulher, como também pode afetá-la no ponto de vista emocional de maneira diferente. Algumas mulheres manifestam uma sensação de grande angústia e ansiedade antes de o realizar, outras de alívio depois de o fazer. As razões para essas sensações variam entre as mulheres.

Os efeitos emocionais e psicológicos associados costumam ser mais comuns que os efeitos secundários físicos e podem variar de leves complicações a mais graves, como, a depressão. É importante analisar estes riscos com um profissional experiente que possa responder às suas perguntas e preocupações. Os efeitos secundários emocionais são tão reais como os efeitos secundários físicos.

Os possíveis efeitos secundários incluem: lamentação, aborrecimento, culpa, vergonha, sensação de solidão ou isolamento, perda de confiança em si mesmo, insónias ou pesadelos, problemas de relação, pensamentos e sentimentos suicidas, desordem alimentar, depressão, ansiedade, entre outros.

Uma mulher que espera um filho e sofre a morte intrauterina do feto, enfrenta uma situação emocional muito forte: mas a mulher que faz um aborto induzido (deliberado), também pode apresentar quadros emocionais importantes.

Segundo o artigo de Clara Bassi, intitulado: O impacto psicológico do aborto, o primeiro que apresenta a grávida é a síndrome da culpabilidade. Se foi espontâneo, a mulher pode pensar que não agiu bem ou que não se cuidou bem, entre outros. É um estado emocional que corrói por dentro. Assim o explica Jaime Reynes, psicólogo do programa “Partilhe o seu filho antes de nascer”, da Policlínica Miramar. Diz a especialista que este sentimento é menos frequentado no que é decidido, porque é planejado.

A OMS estabelece três formas, aborto precoce, intermédio e tardio. Se for tardio, a perda, em caso de ser involuntária, é mais dura. Isto se deve à ligação mais estreita, dado que a mãe começa emocionalmente uma relação com o seu bebé. Estas emoções conduzem ao apego e leva a um duelo, que pode apresentar-se com maior ou menor intensidade segundo os sentimentos de cada mulher.

Quando é mãe pela primeira vez, está mais vulnerável à dor emocional e também podemos dizer que o par da grávida, também sofre das mesmas emoções porque também está ligada de uma forma à criatura. Pelo que a recomendação de solicitar ajuda psicológica é tanto para a grávida como para o par, caso exista.

Para o caso das mulheres ou casais que enfrentam um aborto espontâneo recomendamos a leitura de um ensaio recente sobre o tema, que pode ler em: de Silvia Copado Salido, do Serviço de Obstetrícia e Genecologia do Hospital Universitário Virgen de las Nieves em Granada. Título: Morte fetal intrauterina.

Alguns dos sintomas de alarme

Se apresenta um dos seguintes sintomas, deve aconselhar-se de forma urgente num centro médico para exames e tratamento adequado.

  • Sangramento vaginal (podem ser manchas)
  • Dor abdominal
  • Febre
  • Vermelhão em torno da circunferência que rodeia o umbigo
  • Cólicas constantes
  • Debilidade

É de realçar que, em ocasiões, a mulher pode não saber que está grávida e apresentar os sintomas anteriormente mencionados. Em tal caso, deverá realizar-se um teste de gravidez.